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PMMA - Da proibição à regularização: o que médicos, dentistas e pacientes precisam saber

  • Foto do escritor: Pharminder Junior
    Pharminder Junior
  • 6 de ago.
  • 3 min de leitura

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o PMMA (ou Polimetilmetacrilato) é um tipo de preenchedor usado em procedimentos médicos. Recentemente, o assunto sobre a sua proibição e riscos entrou em alta nas redes sociais por conta de uma influenciadora que relatou complicações de saúde sofridas anos após a aplicação da substância - por conta de casos semelhantes que foram apresentados na mídia, houve a proibição pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e posteriormente, pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Mas como essa substância pode colocar em risco a saúde das pessoas, e como sua regulamentação chegou a esse ponto de proibição? Entenda mais sobre o assunto neste material.


O que é o PMMA e para que serve?

O PMMA (Polimetilmetacrilato) é uma substância plástica que o organismo não consegue absorver. Desenvolvida nos anos 1990, começou a ser usada no Brasil ainda no fim daquela década, mas só foi oficialmente autorizada pela Anvisa em 2007, e sempre de forma restrita, para fins reparadores, como correção de lipodistrofia em pacientes com HIV e correção de sequelas de doenças como a poliomielite.

Apesar disso, o PMMA se popularizou como preenchedor estético, um uso que nunca foi oficialmente autorizado para fins estéticos e que hoje está no centro da polêmica que levou à sua proibição.



A proibição do uso

Sendo uma substância não autorizada para fins estéticos, quando seu uso foi direcionado para esse nicho, começaram a aparecer diversas complicações, sendo elas imediatas ou tardias, como: necroses, infecções frequentes, hipercalcemia e lesões renais, que podem evoluir para insuficiência ou óbito. Além disso, foi identificada dificuldades para a remoção - após a entrada do material no tecido, a retirada cirúrgica é arriscada.

Levando em consideração todos esses fatores e com a ajuda da mídia na repercussão de diversos casos (incluindo óbitos), o Conselho Federal de Medicina (CFM) solicitou à Anvisa, em 2025, o banimento total do PMMA no Brasil. A Anvisa, no entanto, manteve a aprovação do produto após análise técnica, concluindo que ele é seguro quando usado dentro das indicações aprovadas. Diante disso, o próprio CFM decidiu agir e, em junho de 2026, proibiu o uso da substância por médicos em todo o país - proibição estendida aos dentistas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) no mês seguinte.


O que muda na prática: regularização de profissionais e clínicas

Médicos:

Precisam suspender imediatamente qualquer aplicação estética de PMMA. A única exceção permitida é o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/AIDS, e mesmo assim só em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.

Fora dessa exceção, continuar aplicando PMMA pode ser enquadrado como infração ética pelo CFM, com risco de responder por exercício ilegal da medicina (pena de 6 meses a 2 anos de detenção).


Dentistas:

A mesma lógica vale desde a resolução do CFO: PMMA só pode ser usado em hipóteses reparadoras autorizadas pela Anvisa, e mesmo assim exige capacitação técnica específica do profissional. Uso estético está proibido, independentemente de já ter sido uma prática comum no mercado.


Para clínicas:

Precisam atualizar protocolos internos, treinamentos e portfólio de serviços; ofertar PMMA estético hoje é uma prática irregular e passível de fiscalização.

Vale reforçar a transparência com o paciente: informar sobre a proibição, orientar sobre alternativas seguras (como ácido hialurônico, por exemplo) e evitar qualquer aplicação fora da exceção legal.


A regularização não se trata sobre liberar o produto, mas sobre profissionais e clínicas se adequarem à nova realidade regulatória, o que inclui rever práticas, atualizar-se junto aos conselhos de classe e, principalmente, colocar a segurança do paciente acima da demanda estética.


Referências:

  • Sampaio MMC, et al. Os riscos do polimetilmetacrilato: Revisão integrativa de 587 casos de complicações. Rev Bras Cir Plást. 2024;39(4).

Lima BWG. Entre a ética e a estética: os riscos do PMMA. Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba (CRM-PB), 05/08/2025.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). PMMA. Ministério da Saúde. Publicado em 27/11/2024, atualizado em 27/04/2026.

 
 
 

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